segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Pianista Tenório Jr - Para que estas coisas não fiquem esquecidas!!!


Repassando, quem sabe um episódio conhecido por muitos ou quase todos. Ruy situa tal qual soube na época, quando me encontrava em Buenos Aires naqueles dias com alguns companheiros. Por mais se escondesse, a repressão sempre deixava a ponta do rabo de fora. O mais importante, porém, é que, por ali, os "segredos" estão rotos e a justiça vai sendo feita com torturadores punidos. A placa em homernagem a Francisco Tenório Jr., pianista do grupo Vinícius de Moraes e Toquinho, merece nossa atenção e reforça a luta por justiça entre nós e o indispensável que é a abertura dos arquivos da ditadura.
Com punições a seus agentes, é claro.
Abraços. Pedro Viegas.

RUY CASTRO

Placa para Tenório

RIO DE JANEIRO - No dia 18 de março de 1976, o pianista brasileiro Francisco Tenório Jr., 33, estava em Buenos Aires para uma temporada no Teatro Rex com seus patrícios Vinicius de Moraes e Toquinho. Naquela noite, saiu do hotel Normandie, onde estavam hospedados, e deixou um bilhete: "Vou comprar cigarros e um remédio. Volto já". Não voltou -nunca mais.
Fora confundido com um militante procurado pela ditadura argentina e levado preso. Por falar bem espanhol e com sotaque portenho, não acreditaram que fosse brasileiro, músico e inocente. Passaram a torturá-lo, com a colaboração, a partir do quinto dia, de agentes brasileiros da Operação Condor, braço internacional das ditaduras argentina, brasileira, chilena e uruguaia.
Nove dias depois, seus algozes se convenceram de que tinham se enganado. Mas, já então, Tenório estava cruelmente machucado. Pior: vira o rosto deles. Não podiam devolvê-lo à rua. O jeito era matá-lo, o que fizeram com um tiro, no dia 27. Dali Tenório foi dado como "desaparecido", e o Brasil nunca se empenhou em elucidar o fim de um de seus filhos mais talentosos -autor, em 1964, aos 21 anos, do grande disco instrumental "Embalo".
Os detalhes gravíssimos sobre a morte de Tenório só começaram a aparecer dez anos depois, em 1986, e mesmo assim porque um membro da inteligência argentina resolveu contar. Pois, agora, os argentinos, que não estão varrendo a sua ditadura para debaixo do tapete, nos darão em breve nova lição.
No dia 16 de novembro, às 14 h, a cidade de Buenos Aires, por iniciativa do deputado portenho Raul Puy, homenageará Tenório com uma placa na fachada do hotel Normandie, na rua Rodríguez Peña, 320, de onde ele saiu para morrer. Ela dirá: "Aqui se hospedou este brilhante músico brasileiro, vítima da ditadura militar argentina".

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